Uma semiótica da natureza.

 


Marshall Mcluhan dizia que o meio é a mensagem, isto é, que a forma como apreende-se uma mensagem está condicionada pelo mecanismo que a manifesta. Se temos contato com o mundo, numa relação em que somos sujeitos e o mundo objeto de nosso conhecimento, me pergunto, que mensagem o mundo nos passa?

Se formos nos ater ao que comumente se diz sobre o mundo natural, ao estilo de Francis Bacon, consideramos que devemos nos apropriar dele e tomarmos tudo o que existe de útil, do contrário seremos nós a vitima do exterior que nos intimida. Johann Fichte, na mesma direção, coloca o mundo como não-eu, tudo aquilo que precisa ser apropriado dialeticamente para ser unificado na experiência-síntese que é o eu. Nessa semiótica, o mundo deve ser apropriado e utilizado.

Porém, como podemos pensar o mundo como ele é, como lugar o qual vivemos e habitamos, como ambiente, como meio ao qual circulamos e construímos o que somos? Porque não consigo pensar o mundo como exterioridade que me impele unicamente a domina-lo. Tem de haver uma forma de pensá-lo sem que seja necessário concebê-lo como um domínio, como um lugar ao qual devo me apropriar para que nele mesmo possa eu viver. A questão mais difícil é, como posso usufruir daquilo que me concede tudo o tenho, ou seja, como posso me aproveitar da gratuidade da relação que há entre nossa humanidade e o meio ao qual vivemos? São apenas perguntas. Você concorda?

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